GRANDE HOMEM
"Quem
faz jus ao título de "grande homem"?
Não sei...
O homem inteligente?
Não basta ter inteligência para ser grande...
O homem poderoso?
Há poderosos mesquinhos...
O homem religioso?
Não basta qualquer forma de religião...Podem todos esses homens
possuir muita inteligência, muito poder, e muita religiosidade - e
nem por isso são grandes homens.
Pode ser que lhes falte certo vigor e largueza, certa profundidade
e plenitude, indispensáveis à verdadeira grandeza.
Podem os inteligentes, os poderosos, os virtuosos não ter a
verdadeira liberdade de espírito...
Pode ser que as suas boas qualidades não tenham essa vasta e leve
espontaneidade que caracteriza todas as coisas grandes.
Pode ser que a sua perfeição venha mesclada de um quê de acanhado e
tímido, com algo de teatral e violento.
O grande homem é silenciosamente bom...
É genial - mas não exibe gênio...
É poderoso - mas não ostenta poder...
Socorre a todos - sem precipitação...
É puro - mas não vocifera contra os impuros...
Adora o que é sagrado - mas sem fanatismo...
Carrega fardos pesados - com leveza e sem gemido...
Domina - mas sem insolência...
É humilde - mas sem servilismo...
Fala a grandes distâncias - sem gritar...
Ama - sem se oferecer...
Faz bem a todos - antes que se perceba...
"Não quebra a cana fendida, nem apaga a mecha fumegante - nem se
ouve o seu
clamor nas ruas..."
Rasga caminhos novos - sem esmagar ninguém...
Abre largos espaços - sem arrombar portas...
Entra no coração humano - sem saber como...
Tudo isso faz o grande homem, porque é como o Sol - esse astro
assaz poderoso para sustentar um sistema planetário, e assaz
delicado para beijar uma pétala de flor.."

Huberto Rohden
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O Valor das Pessoas...
Valor...
do Lat. Valore
s. m., o que uma coisa vale; preço; importância; qualidade inerente
a um bem ou serviço que traduz o seu grau de utilidade; qualidade
daquele ou daquilo que tem força; valia; estimação; valentia;
coragem; mérito; préstimo;
Será que damos “valor” às pessoas que nos rodeiam?
Quanto valem os nossos amigos? Qual o “preço” duma
amizade? Qual a valia de um familiar?
Somos pequenos “pedaços de madeira” perdidos neste
“mar” a que chamamos sociedade, pedaços de madeira como
aqueles que podem ser apanhados por qualquer pessoa numa praia,
atirados, mal tratados, espezinhados, mas que também podem ser
acarinhados, bem tratados, limados e polidos pelas mãos de quem
soube dar “valor” e vê a beleza e o potencial que está
por detrás desse pedaço de madeira…
Gosto de me ver como um “pedaço de madeira” que é o
resultado de tudo o que já passou e vai passando, algumas mossas,
muitos golpes e feridas, mazelas q.b., mas também limado,
concertado, polido e até mesmo transformado numa bela caixa que
apesar de ter algumas arestas, defeitos, falhas por limar e algumas
imperfeições, guarda muito “valor” lá dentro.
A muitas pessoas falta valor, não parecem ter qualidade alguma nem
utilidade, não se lhes vê alguma mais valia, mérito ou préstimo, no
entanto, acredito que essas pessoas servem para darmos valor a
outras. Quantos de nós não demos valor a alguém por termos sido
maltratados ou ignorados por outra pessoa? Quantos não se
arrependeram da forma como tratámos alguém quando sentimos na pele
o mesmo trato? Quantos de nós não seremos no nosso dia-a-dia
pessoas sem “valor”???
Muitas pessoas não se apercebem que rebaixam quem está à sua volta
apenas para terem as pessoas que as rodeiam ao seu nível, em vez de
tentarem ser melhores pessoas, em vez de fazerem algo por si e
pelos outros.
Apesar do nosso valor estar na importância que temos para as
pessoas que nos rodeiam, está também e principalmente na nossa
própria valorização, no nosso mérito, nas nossas virtudes, na
capacidade de tentarmos e querermos ser
melhores.
Somos melhores quando nos
superamos a nós próprios, não quando superamos os
outros.
Muitas vezes não valorizamos as
pessoas que nos rodeiam, que nos apoiam, que estão lá para nós
quando precisamos, porque essas pessoas tomamos como garantidas.
Nada é garantido, tudo é efémero, passageiro. De um dia para o
outro podemos perder alguém querido, sem termos oportunidade de lhe
dizer e mostrar o quão importantes eram e quanto valiam para nós.
Sortudos aqueles que fazem por isso e o conseguem antes que seja
tarde demais!
Volto a repetir as perguntas: “Será que damos
“valor” às pessoas que nos rodeiam? Quanto valem os
nossos amigos? Qual o “preço” duma amizade? Qual a
valia de um familiar?”
Não pensem naquilo que já perderam durante a vida, isso não
voltará, pensem sim naquilo que podem estar a perder e podem vir a
perder por não valorizarem quem está à vossa
volta!
Nuno
Ferreira
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Ao longe essa luz sem brilho
Sobre mim a noite fria
Caminho ao longo desse trilho
Sem nunca perceber essa apatia
Corro para essa luz, sem pressa
Pois essa luz não cumprirá a promessa
É luz sem cor, sem amor nem calor
Luz sem apreço, endereço nem consideração
Fria ao toque, estática, pálida, sem compaixão
Para onde vou, para onde estou a ir
Não é solução, não é o que quero seguir
Essa ausência, essa indiferença, essa distância
Essa insignificância, sem importância da ignorância
Esta solidão, esta confusão e incerteza
Que me percorre as veias e me sufoca e agonia
Me mata e me destrói na dúbia certeza
Essa luz não é meu futuro, não é a felicidade
Algo tem de mudar, mesmo contra essa vontade


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